Flash remoto: como usar o flash longe da câmera

Por: suporte Em: Criado em: 2016-10-25 Comentário: 0

Vá além do que é moda e pense na foto por ela mesma! E se ano que vem aquele flash na cara da modelo deixando a cena subexposta sair de moda, a foto ainda vai ser bonita? Pense nisso!

Neste post irei destrinchar uma técnica muito bacana para conseguir fotos bem iluminadas: o flash off camera, ou “flash longe da câmera.” Essa técnica consiste em usar flashes portáteis para conseguir uma iluminação mais adequada e criativa nas suas fotos.

Ao contrário da iluminação de estúdio que depende de equipamentos pesados e suas tomadas, os strobes nos permitem usar uma iluminação com mais praticidade e controle pois são pequenos e usam pilhas e baterias portáteis.

Vamos lá?

Glossário
Strobe: é o flash portátil. Ao contrário daquelas enormes cabeças de flashes encontradas nos estúdios os strobes são pequenos e funcionam a pilha ou bateria – não ligados na tomada ou geradores. É claro que eles possuem menos potência mas nada que não possa ser resolvido usando mais de um ou aproximando o flash do assunto.

Existem strobes de várias marcas, incluindo as oficiais das câmeras como Canon e Nikon. Qualquer marca serve para dispararmos um flash remoto, mas um flash compatível com a nossa câmera dá mais opções.

Sapata: é aquele lugarzinho em cima da câmera aonde se encaixa o Flash.

 

TTL: É quando a câmera e o flash conversam entre si e definem as coisas automaticamente. A câmera diz pro flash que precisa de mais ou menos luz e ele obedece.

Master e slave: Master é um flash que, na sapata, pode mandar em outros flashes. Slave é o flash que obedece um master (igualzinho ao BDSM.)

Abertura, velocidade e outros termos fotográficos: Para usar essa técnica é preciso já saber fotografar sem o flash. Caso ainda não conheça o básico corre lá na Apostila aprenda a fotografar em 7 lições para não se perder.

Parte 1: materiais necessários
Uma câmera DSLR
Sua câmera precisa te dar total controle sobre as configurações para possibilitar o uso de flashes remotos. A câmera, o computador ou o TTL não saberão fazer nada sozinhos. Por isso bota sua câmera no M e vem comigo.

Um Flash (ou mais)
Vamos começar com um, para não complicar. Depois de treinar bastante com essa técnica vai ficar fácil adicionar mais flashes para a brincadeira.

A única necessidade é que seu flash possua controles manuais. Pelo mesmo motivo ali de cima: para conseguir os resultados que queremos nessa técnica é preciso total controle.

Para quem usa Nikon existem os famosos flashes SB-algumnúmero. Para quem usa Canon os famosos algumnúmero-EX. Existem também várias marcas mais baratas. O melhor custo/benefício na hora de comprar seu flash, como sempre se dá com equipamentos fotográficos, é comprar aparelhos usados.

Dependendo da forma que você vai disparar esses flashes a marca não vai importar. Você pode disparar um SB900 usando uma câmera Canon ou um 580EX com uma Nikon. Neste tutorial trabalharemos no modo manual, então o flash e a câmera não irão conversar o suficiente para se desentenderem. Mas claro que se um dia você precisar usar o flash na sapata ou escolher trabalhar com TTL só vai dar certo com flashes e câmeras compatíveis entre si. Mais sobre isso no próximo item.

Uma forma dos dois conversarem
Eles não irão conversar muito, mas a câmera precisa falar *JÁ* na hora de bater a foto para o flash disparar. Para que essa ligação aconteça você tem algumas opções:

a. Cabo

Você pode usar um cabo de sincronismo PC (de preferência mais longo do que esse da foto) para ligar o flash na câmera. Fique de olho no modelo de flash pois muitos não possuem uma saída PC. Cabos são pouco utilizados hoje em dia pois temos muitas opções sem fio, mas é bom ter um como backup.

Veja uma busca por cabos de sincronismo no Mercado Livre.

Vantagens: É confiável e baratíssimo.
Desvantagens: Nem todos os Flashes possuem uma saída PC, cabos enrolam e tropeçamos neles (= menor mobilidade


b. Rádio

Para que o flash converse com a câmera através de ondas de rádio você colocará uma pecinha transmissora ali na sapata da sua câmera e uma pecinha receptora debaixo do seu flash.

Existem transmissores a rádio de marcas consagradas e caras como o Pocket Wizard e algumas opções mais em conta e versáteis. Usei por muito tempo os kits Cactus, da Gadget Infinity e além de mais baratos sempre fizeram bem o trabalho. Compre usados.

Alguns transmitem TTL, outros não. Os mais baratinhos, naturalmente, não. Mas como já disse não iremos brincar de TTL nesse tutorial.

Vantagens: É confiável e tem ótimo alcance com pouca interferência.
Desvantagens: É um pouco mais caro e você precisa ir até o flash para configurá-lo.
c. Infravermelho

O infravermelho é uma opção interessante se:

Você já tem pelo menos dois strobes (pois assim um fica em cima da câmera controlando o outro);
Se tem à mão um transmissor infravermelho (como esse da Canon);
Ou se sua câmera já possui essa funcionalidade embutida.


1. Se você já tem dois strobes e um deles pode ser master, então é fácil. É só colocá-lo na sapata e usá-lo para controlar o que sobrou como slave. Para fazer isso é só colocar o da sapata na opção master e o outro (ou outros) na opção slave. Prepare os chicotes e divirta-se! Brincadeira. Para configurá-los direitinho lembre-se de ler o manual dos seus flashes, pois cada um é diferente.

 

2. Existem transmissores infravermelho para comprar. A vantagem deles sobre os transmissores à rádio que mostrei ali em cima é que o TTL continua funcionando e costumam ser mais baratos do que transmissores à radio que fazem isso.

3. Algumas câmeras possuem um flash master embutido na câmera, naquele pequeno flash pop up ou em outro local. Ele funciona como o infravermelho, de forma ótica.

 

O transmissor que já vem dentro das câmeras é muito prático pois não é preciso nenhum tipo de cabo, adaptador ou pecinhas extras.

Nota: este post foi publicado originalmente em 2011. No momento desta revisão, em 2015, é praticamente impossível achar um modelo de câmera que não possua essa função.

Leia o manual da sua câmera para saber como ativar e utilizar o transmissor embutido.

Como nem tudo é perfeito, o infravermelho tem um problema. Assim como o controle remoto da sua televisão, que só funciona apontando pra ela, é preciso que o flash esteja na line-of-sight da câmera. Isso quer dizer que aquela partezinha vermelha do flash deve apontar pra câmera invariavelmente e que não pode ter nada entre a câmera o flash. Ou seja: se sua ideia é usar o flash logo atrás de uma pessoa em uma foto, por exemplo, provavelmente não vai dar. Além disso o infravermelho tem um alcance menor do que as ondas de radio.

Vantagens: ter total controle pelo menu da câmera, manter o TTL, não precisar de peças extras.
Desvantagens: é preciso que o flash esteja na line-of-sight da câmera, e sem nada entre eles.
 

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Decida como você quer fazer a ligação entre Câmera e Flash de acordo com seu orçamento e objetivos de uso.

4. Algo que segure o Flash
Esse flash vai estar longe da câmera. E a câmera, a princípio, vai estar com você. Logo, o flash estará longe de você também! E agora? Onde ele vai ficar? Para variar, existem algumas opções:

a. Tripé

O ideal é ter um tripé para flashes com pino 5/8″. Para poder usá-los com strobes é preciso comprar também uma “cabeça” que adapta o pino 5/8″ para um suporte de strobe, com buraquinho para colocar um modificador (como sombrinhas ou difusores.) Existem alguns tripés feitos para strobes, é claro, e você pode encontrá-los no Mercado Livre ou lojas de coisas fotográficas pela web.

b. Garras

Existem também “garras” de vários formatos: você coloca a garra em uma porta, em uma grade, em um galho de árvore… Onde a imaginação mandar.

c. Ajudante 

Minha opção preferida é essa: mandar alguém segurar o flash para você. :-P

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É bem importante ter uma boa forma de “segurar” o flash, pois precisamos de controle e precisão de distância e ângulos para conseguir os resultados planejados! Se não quiser investir em mais coisas, de início, use a opção ajudante. :-)

5. Fotômetro
Não acho o fotômetro essencial. Dá para se virar muito bem treinando bastante e usando o fotômetro embutido da câmera. Mas… Quem trabalha com flashes bastante diz que o fotômetro é uma ferramenta super prática e um bom investimento.

Eu sei que você não trabalha com flashes afinal está lendo um artigo para iniciantes em flash, então empreste de alguém e veja se faz diferença para você.

Só isso :-)
Esses são os 4 itens essenciais (e 1 facultativo) para começar a trabalhar com flash portátil. Você vai ver mais além que outros acessórios poderão ser bem vindos.

Parte 2: Quando o flash é necessário
Agora que você já tem todas as ferramentas vamos conversar sério: não é preciso usar flash em todas as situações. Só porque a gente sabe como usar não quer dizer que é preciso usar o tempo inteiro.

Qual o seu objetivo?
A primeira coisa a se fazer é pensar no seu objetivo com a foto. Como você quer ou precisa que ela seja? Qual a sensação que você quer ou precisa que ela passe? Para conseguir isso qual é a iluminação necessária? A iluminação disponível consegue oferecer isso? Se não, você pode controlar a situação a ponto da iluminação disponível ser adequada?

por Jerry OConnor
Talvez essas perguntas te levem a descobrir que não, não é necessário usar o flash. Às vezes usar a luz disponível é a melhor opção. Eu sou sempre a favor do caminho menos complicado: se a luz disponível me dá o resultado que eu procuro não vou me dar ao trabalho de montar um setup de flashes portáteis para chegar em um resultado pior ou igual. Se montar um setup de flashes portáteis é mais prático do que tentar contornar um problema com a luz disponível então essa opção se mostra mais prática.

Somente quando o flash é realmente a melhor opção (ou única) é que devemos nos preocupar com ele. Lembre-se que ele é mais complicado pois possui mais peças sujeitas a erro e sobre as quais precisamos ter total domínio.

Acho interessante notar algo comentado pelo Jerry (autor das fotos acima): a questão de certos tipos de iluminação estarem na moda. É legal criar algo trendy e que está na moda de vez em quando, mas não se baseie somente nisso.

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